Manual da PC: Até onde prisão de irmão de deputado, fala de Amastha e excesso de repúdio influenciaram em votação

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Da Redação

 

A quarta-feira, 27 de março de 2019, será sempre vista como uma data negativa pela Polícia Civil do Tocantins. A derrota na Assembleia Legislativa durante a votação do projeto denominado, Manual da PC, foi esmagadora e deixou clara a ideia de que, em alguns casos, fatos ocorridos anteriormente podem influenciar.

No Tocantins, o clima entre a Polícia Civil e a classe política não é dos melhores há muito tempo. A crise iniciou quanto gabinetes de deputados e de setores do executivo foram tomados por policiais em diversas Operações, ainda no mandato passado. De lá-para-cá, a situação só piorou.

Para complicar ainda mais, na semana passada um irmão do deputado Amélio Caires foi preso ilegalmente, acusado de participar de crimes que estariam ocorrendo dentro do Naturatins. Somente depois de prestar depoimento e da grande repercussão, a PC reconheceu o erro. O deputado Amélio Caires, um dos mais queridos entre os colegas de parlamento, se emocionou ao falar sobre o assunto ontem, durante a sessão.

DEPUTADOS VOTARAM NESTA QUARTA-FEIRA, 27 DE MARÇO

Ainda pior, foi o fato de o Sindicado dos delegados – Sindepol, ter permitido que o ex-prefeito de Palmas e adversário de Carlesse na eleição de 2018, Carlos Amastha, fizesse uso da palavra durante manifestação da classe, realizada na manhã desta quarta em frente a Assembleia Legislativa.

A “afronta” foi visto como de caráter politiqueiro e seguiu outra sequencia de erros que foram cometidos pelo Sindepol no período das discussões sobre o manual e que antecedeu a votação pelos deputados.

Ao invés de priorizar as discussões e debater diretamente com o Legislativo sobre o tema, o Sindicato preferiu disparar uma série de notas que repudiava a tudo que se dizia a respeito do Manual. O Sindepol preferiu levar a batalha para um campo jurídico inexistente, ao se ater às necessidades de explicar a situação pessoalmente a quem, de fato, iria decidir. Neste caso, a Assembleia.

Foram 19 votos contra a proposta da categoria. O que demonstra a inviabilidade das “cartas de repúdios” que encheram as caixas de e-mails dos meios de comunicação do Estado. Também não influenciaram os apoios de grupos externos, como foram os casos de sindicato tidos como “nacionais”.

A questão da mordaça à imprensa também é outro fato que não se trata de uma realidade. Esse tema foi excessivamente abordado para obtenção de apoio. Porém, quem realmente atua na área sabe que o trabalho também requer investigação jornalística, boas fontes e confiabilidade. Só isso basta. É essa a relação que sempre acontece entre a imprensa e a Polícia Federal, por exemplo.

Até porque, de maneira alguma a Polícia Civil irá, ou poderá impedir que a imprensa acompanhe qualquer caso. Isso é Lei. Portanto não há mordaça. O que precisa é haver parceria e sigilo quanto ao trabalho dos policiais.

A votação desta quarta-feira na Assembleia Legislativa foi além do que a Polícia Civil imaginava. Os votos contrários não foram apenas em relação à manutenção do Manual que regulamenta o trabalho da classe.

Por contra própria, os deputados também votaram uma emenda constitucional que dá ao governo, autorização para transferir delegados de polícia sempre que houver necessidade. As chamadas vitaliciedade e inamovibilidade, que dava direito aos delegados de só serem transferidos de uma determinada cidade quando concordavam, também foi derrubada. A ação pegou a classe de surpresa. “O que já era ruim ficou ainda pior” disse um profissional da área.

Por fim, as ações da Secretaria de Segurança Pública, que pela primeira vez na sua história tem em seu comando um secretário com amplo conhecimento prático, e não político, da atuação da polícia investigativa, o secretário Cristiano Sampaio, foram determinantes para a aprovação do Manual da Policia Civil.

De qualquer forma, a sociedade tem a garantia de que o trabalho da Polícia Civil não diminuirá seu nível por causa de tal projeto. O comprometimento dos profissionais será mantido.

 

Por Elvecino Benício

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