Mais de 70 pacientes que aguardavam por transplante são beneficiados com órgãos e tecidos captados no Tocantins

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Em 2019, o Tocantins entrou definitivamente no fluxo operacional do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Esse avanço é fruto do trabalho conjunto das equipes da Central Estadual de Transplante e estruturas de procura e doação do estado do Tocantins. Optar por ser um doador de órgãos é considerado um gesto de amor ao próximo. Em muitos casos, esse ato altruísta é a única alternativa para quem precisa de um transplante para ter uma vida normal. Por meio da doação, milhares de vidas são salvas todos os anos.

No Estado, as captações de órgão/tecidos podem ser realizadas em Palmas, no Hospital Geral de Palmas (HGP), e Araguaína, no Hospital Regional de Araguaína (HRA). A agilidade no processo de captação de múltiplos órgãos é fundamental para o sucesso do transplante. Cinco famílias tocantinenses optaram pela doação múltipla de órgãos em 2019, beneficiando oito pacientes em diversas regiões do país.

O trabalho de conscientização dos profissionais de saúde e da população é fundamental para sensibilização do processo de doação e transplante.  Em 2019 foram realizadas diversas ações de capacitação e oficinas para profissionais da Saúde no Estado, bem como palestras para desmistificar o processo de doação, voltadas para diversos setores da sociedade.

“A doação de órgãos é um ato que beneficia não somente o paciente que está na fila de espera, mas seus familiares e toda sociedade. Devemos expressar o desejo de ser doador aos nossos familiares em vida, pois somente eles podem autorizar a doação”, lembra a coordenadora da Central Estadual de Transplante do Tocantins, Suziane Crateús.

Córneas

Neste ano, 66 famílias disseram sim a doação de córneas no Tocantins, beneficiando mais de 70 pacientes em diversos estados do país, incluindo do Tocantins, contribuindo para diminuição da fila nacional de espera por transplante.

Ao todo, 41 cidadãos tocantinenses foram contemplados com o transplante de córneas no decorrer do ano. No Estado estão autorizadas quatro equipes para realizar transplante de córneas. O Banco de Olhos do Tocantins (Boto), localizado no HGP, é responsável pela captação e preservação de tecidos oculares que serão distribuídos no âmbito estadual; caso não haja pacientes aptos a receber o transplante no Estado os tecidos serão ofertados ao SNT para distribuição nacional.

O transplante de córnea é um procedimento cirúrgico que é realizado em centro cirúrgico e não necessita de internação do paciente. A cirurgia consiste em substituição de uma córnea doente ou opaca por outra sadia, com intuito de melhorar a visão do paciente ou mesmo corrigir defeitos oculares que ponham em risco a sua anatomia ou a função do seu olho.

Conscientização

Para que a doação aconteça é preciso que a população se conscientize da importância do ato de doar órgãos. No Brasil, para ser doador não é preciso deixar nada por escrito, e sim comunicar à família, pois somente os parentes (de até segundo grau) podem autorizar a doação.

Em 2018, segundo o Ministério da Saúde, a mortalidade em lista para o transplante cardíaco no Brasil foi de 28%. Ainda de acordo com o Governo Federal, em 2018 foram realizados 26.518 transplantes, sendo 8.853 de órgãos, 14.788 de córneas e 2.877 de medula óssea.

Quais órgãos que podem ser doados?

Coração: o transplante só pode ser realizado por meio de um doador falecido, com morte encefálica constatada.

Válvulas cardíacas: esse tipo de transplante é indicado para pessoas com doenças da válvula do coração.

Fígado: é um órgão que tem a capacidade de regenerar-se, por isso, o doador pode doar parte de seu fígado, em vida. Esse tipo de transplante é realizado principalmente em casos de cirrose hepática.

Pulmão: em situações especiais, uma parte do pulmão pode vir de um doador vivo e são necessários dois doadores para um receptor.

Ossos: os ossos doados podem ser mantidos em um banco por um longo período.

Medula óssea: é responsável por produzir componentes do sangue e é usada para a cura de doenças que afetam as células do sangue, como a leucemia.

Rim: os rins podem ser doados tanto em vida quanto após o falecimento. A doação do rim geralmente é feita para pessoas com hipertensão, diabetes, insuficiência renal crônica, entre outras doenças renais.

Pâncreas: o transplante é feito em pessoas com diabetes e sérios problemas renais.

Córneas: o transplante só pode ser feito a partir de doadores falecidos, com idade entre 2 a 80 anos. Ceratocone e distrofia do endotélio são algumas das doenças graves que podem afetar a córnea, parte do olho que controla a passagem de luz para a retina.

Pele: o transplante de pele é recomendado em caso de pessoas que sofreram extensas queimaduras ou doenças dermatológicas graves.

Nielcem Fernandes – Secom

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